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O Discurso do Rei

É difícil dizer qual o segredo para se fazer um bom filme. Roteiro bem amarrado, história envolvente, trilha sonora que exprime o que muitas vezes não precisa ser dito, belas atuações… Algumas produções se salvam com um ou outro desses elementos fortalecidos. Mas quando um filme consegue reunir grande parte de tais características, é difícil ver um espectador sair desapontado da sala de cinema.

Esse é o caso de “O Discurso do Rei”, dirigido por Tom Hooper. Desde a cena inicial, uma ótima sequência com o jovem Duque de York (futuro Rei George VI, estrelado por Colin Firth) se preparando para um discurso no estádio de Wimbledon, que seria transmitido via rádio para milhões de pessoas, até a final, com um novo discurso, este às vésperas da 2ª Guerra Mundial, o filme é envolvente. A começar pelo roteiro bem construído, que conta a história de Albert Frederick Arthur George, pai da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Albert era o segundo na linha de sucessão do Rei George V, depois de seu irmão Edward. Ninguém esperava que o caçula, gago desde a infância, assumisse o trono, o que aconteceu em 1936 quando o irmão abdicou para se casar com uma norte-americana divorciada. O problema é que o país precisava de discursos  fortes em uma época de terror, às vésperas da segunda grande guerra. E aí está o drama do filme…

A fotografia também merece destaque. Nas cenas de Firth, sempre enquadrando-o de forma incômoda, potencializando o desconforto do monarca com sua gagueira. Desconforto que atinge o público, graças a uma brilhante atuação do ator inglês, que deixa o espectador sentir sua  agonia quando precisa falar e as palavras não saem. Dói de ver (ou ouvir).

E a ótima atuação não se resume ao protagonista. A direção de atores do longa-metragem é de extrema qualidade. Geoffrey Rush como Lionel Logue, uma espécie de fonoaudiólogo com métodos não-convencionais, atua sem compromisso e rouba as cenas. Helena Bonham Carter, finalmente deixando um pouco de lado os papeis excêntricos dirigidos pelo marido, Tim Burton, faz bem a dedicada esposa Elizabeth. E Timothy Spall agrada como Winston Churchill (embora às vezes seja caricato demais).

A trilha sonora também acompanha bem os 118 minutos do filme, servindo para potencializar a angústia que sentimos ao lado do personagem e a expectativa de um discurso. E a produção consegue transmitir bem o sentimento de incerteza vivido pelo mundo às vésperas da guerra, além de mostrar a revolução provocada pelo rádio, um meio de comunicação que aproximava os líderes de seus cidadãos.

Tais qualidades do filme o gabaritam para vencer o Oscar de melhor filme e de melhor ator. Algo que, caso se confirme, será extremamente merecido… Afinal, à primeira vista, o enredo parece não atrair grande interesse. Mas, em alguns casos, como em “O Discurso do Rei”, o mais importante não é a história, e sim como ela é contada…

Veja o trailer:



Coldplay em São Paulo

Frio, trânsito em São Paulo, atraso, metrô lotado, som péssimo, grande distância do palco. Parece muita coisa ruim para um dia só, mas sequer todos esses elementos juntos conseguiram tirar a emoção e a beleza da apresentação da banda inglesa Coldplay em São Paulo, na última terça-feira, dia 2 de março, pela turnê do disco “Viva La Vida or Death and All His Friends”.

O som péssimo pode ter causado algum desânimo momentâneo. Afinal, estava muito baixo e o público não conseguia sentir a batida da bateria junto com o ritmo cardíaco, um dos grandes prazeres de se presenciar um show ao vivo. Mas quando a banda liderada por Chris Martin cantava seus principais hits antigos, como Clocks, In My Place, Shiver e The Scientist, ou novos, tais quais Viva la Vida, Violet Hill e 42, a animação provocada era geral e esquecia-se qualquer tipo de problema, com milhares de vozes carregadas de sentimento, seguindo a letra das músicas, todas de uma beleza ímpar.

Destaques

O show foi ótimo por inteiro. Mas há três momentos que, acredito, valem destaque: 1º quando a banda cantou a música Yellow. As luzes do estádio se apagaram e o público ficou na expectativa. O som começou a tocar baixinho e, de repente, o palco se iluminou com luzes amarelas e o volume aumentou, levantando os fãs; 2º quando Chris Martin cantou a belíssima canção Strawberry Swing; 3º quando a banda, ao lado do estádio inteiro, cantou “parabéns a você” para Chris Martin, que estava completando 33 anos.

Não podemos esquecer também da bela produção do show. O palco exibiu cinco lâmpadas gigantescas e telões que transmitiam imagens e closes da banda. Ainda foi liberada uma nuvem com milhares de borboletas coloridas, feitas de papel, que deram imensa beleza ao espetáculo. No fim, ainda houve fogos de artifício para completar a festa.

Também vale destaque a empolgação e o carisma do vocalista Chris Martin. Sua energia contagiou o público. O cantor não parava de correr para as duas grandes passarelas laterais, que foram usadas pela banda para interagir com os fãs, e reagia a cada mudança de batida das canções.

No final do show, em uma atitude pouco usual, foram distribuídos aos fãs CDs contendo nove músicas da banda, como forma de agradecer o público que prestigiou o show. 

Agora, o próximo álbum do Coldplay deve sair no final do ano. Resta esperar por sua próxima vinda ao Brasil…

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Na 33ª Mostra Internacional de cinema, que inicia nesta sexta-feira, dia 23/10, os fãs de cinema terão a oportunidade de ver o último filme gravado por Heath Ledger, o Coringa, de Batman: O Cavaleiro das Trevas, que morreu no ano passado: O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, dirigido por Terry Gilliam (Monty Python).

Provavelmente o longa-metragem atrairá um grande público pelo fato de ser o último filme de Ledger, mas a sua qualidade logo fará os espectadores esquecerem esse fato e ficarem fascinados com a beleza e criatividade do filme.

Sem o ator para finalizar o filme, a escolha para substituí-lo feita por Terry Gilliam foi “humilde”. Foram contratados simplesmente três grandes atores:  Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel. Parece loucura e sem cabimento todos interpretarem o personagem Tony em diferentes partes do longa, mas, na história, as mudanças parecem naturais e totalmente plausíveis, soam até necessárias e dão a impressão de que tais mudanças já estavam previstas no roteiro inicial.

Na história, Dr. Parnassus (Christopher Plummer) é um contador de histórias imortal que lidera uma trupe de teatro ambulante que tenta sobreviver nas ruas de Londres, se apresentando a um público que simplesmente não se interessa mais por histórias. O problema é que Parnassus,  há séculos, para conquistar a vida eterna e a mulher amada, fez um trato com o demônio (Tom Waits) que envolve a sua filha, Valentina (Lily Cole). Para salvá-la das garras do diabo que veio cobrar sua dívida, o personagem de Plummer contará com a ajuda do mais novo integrante do grupo, Tony.

Por trás do mundo surreal, místico e fantástico, que observamos através da imaginação de Parnassus, o roteiro faz com que nos deparemos com a realidade: de que a vida é baseada em escolhas, que acarretarão em coisas boas ou ruins. Além disso, o filme faz uma crítica à vida fútil e ambiciosa levada por grande parte da sociedade moderna.

Vale destacar a atuação fantástica de Plummer e Tom Waits, que conduzem seus personagens, dois apostadores insaciáveis, com maestria. Ledger também mostra que realmente era um ator em forte evolução. Seus substitutos não fazem feio e mantém a atenção do espectador no intrigante Tony.

A fotografia do filme, de Nicola Pecorrini, é outro show à parte. Com inteligência, graças a um ótimo trabalho da direção de arte da produção, o longa-metragem mistura as belas cores do teatro ambulante e das fantasias do grupo de teatro com as cores cinzas de uma Londres suja e chuvosa, fazendo um belíssimo contraste. Todos esses elementos, misturados com uma narrativa empolgante, fazem do filme um dos melhores do ano até aqui. No fim, o espectador sai da sala de projeção com aquela vontade de assistir novamente…

Veja o trailer:

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Para quem, como eu, esperava ansiosamente pela confirmação dos shows da banda inglesa Coldplay no Brasil, uma ótima notícia: a produtora Time For Fun anunciou hoje que a banda liderada por Chris Martin fará dois shows no Brasil em março do ano que vem. Os shows acontecerão dia 28/2 na Praça da Apoteose, Rio de Janeiro, e 2/3 no estádio do Morumbi, em São Paulo.  No início do ano, os boatos diziam que a banda viria ainda em novembro deste ano. A convidada especial para toda a turnê será a cantora de electro, Bat For Lashes, indicada ao Prêmio Mercury.

O Coldplay virá ao Brasil na turnê do álbum Viva la vida or death all his friends”. Para o público em geral, os ingressos começarão a ser vendidos em 7 de novembro a partir da 0h pela internet (www.ticketmaster.com.br), a partir das 9h pelo call Center (4004-2060), a partir das 10h nos pontos de venda e a partir das 12h na bilheteria oficial do show, localizada no estacionamento anexo do Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17.981 – Santo Amaro). Para os clientes dos cartões Citibank, Credicard e Diners acontece uma pré-venda exclusiva do dia 31 de outubro a 06 de novembro.

Os shows na América Latina, que também acontecerão em Buenos Aires, Bogotá, Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, marcarão o fim da turnê do CD. Mais informações serão divulgadas no site oficial do show www.showcoldplay.com.br e no Coldplay.com.

A vinda do Coldplay ao Brasil é uma ótima notícia, pois a banda, sem dúvida alguma, é a que mais se destacou no cenário internacional deste ano, devido à qualidade do novo álbum. Uma análise mais detalhada do álbum e sobre a banda escrita por mim, aliás, pode ser encontrada no site Depressão Pós-Cafeína, confira.

Strawberry Swing

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Strawberry Swing, canção da banda inglesa Coldplay de seu último álbum “Viva La Vida or Death And All His Friends”, ganhou um clipe, um dos melhores do ano, diga-se de passagem, no dia 20 de julho.

 O grupo havia disponibilizado uma semana antes uma prévia com alguns segundos do vídeo para os fãs, que ficaram com água na boca para ver o restante do clipe, muito bem feito pelo coletivo de artistas visuais Shynola, grupo artístico que já trabalhou com Radiohead (“Pyramid Song”), Blur (“Good Song”), The Rapture (“House of Jealous Lovers”), Queens of the Stone Age (“Go With the Flow”), entre outros.

Em “Strawberry Swing”, a ação acontece em um mundo desenhado com giz, no qual Chris Martin, vocalista do grupo, é um super-herói e precisa salvar a mocinha de um perigoso esquilo gigante. As imagens são muito belas e empolgantes, sem citar a música com ótima letra e melodia. O vídeo é de muita criatividade e combina com Martin, artista excêntrico e que, com seu jeito carismático, não consegue ficar parado no palco quando está se apresentando.

Após a estreia no site Babelgum.com, o clipe foi veiculado nos cinemas Odeon, no Reino Unido, antes da exibição dos filmes Brüno, de Sasha Baron Cohen (o Borat) - no qual o vocalista Chris Martin faz uma aparição – e A Proposta, estrelado por Sandra Bullock e Ryan Reynolds.

Segue o trailer do clipe que havia sido disponibilizado pela banda:

Para assistir ao vídeo completo, acesso a página oficial do Coldplay no youtube: http://www.youtube.com/user/coldplaytv?blend=2&ob=4

Filmes do Festival de Veneza

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Nesta quinta-feira, 30 de julho, o Festival de Veneza, que vai do dia 2 a 12 de setembro, divulgou a seleção dos filmes que serão exibidos neste ano, no prêmio de número 66. Destaque para os brasileiros “Insolação”, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch, que fala sobre solidão e as dificuldades de uma grande metrópole, e “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz, que conta a história de um geólogo enviado para o sertão do nordeste para fazer uma pesquisa de campo, na qual o espectador logo nota semelhanças entre o protagonista e os lugares pelos quais ele passa: o vazio e isolamento.

O país com mais filmes exibidos será a Itália (22) seguido por EUA (17). Alguns filmes bastante aguardados pelo público como Survival of the Dead, de George Romero, mestre quando o assunto é zumbis, Capitalism: A Love Story, de Michael Moore e The Informant!, de Steven Soderbergh também serão exibidos.

Muitos dos filmes, infelizmente, não chegarão aos cinemas brasileiros, por isso, vale a pena acompanhar o festival para ver o que se destaca e depois correr atrás do que interessar.

Segue a lista dos que concorrem e do que será exibido.

Mostra competitiva

  • Baaria, de Giuseppe Tornatore (Itália)
  • Soul Kitchen, de Fatih Akin (Alemanha)
  • La Doppia Ora, de Giuseppe Capotondi (Itália)
  • Accident, de Cheang Pou-Soi (China/ Hong Kong)
  • Persecution, de Patrice Chereau (França)
  • Lo Spazio Bianco, de Françasca Comencini (Itália)
  • White Material, de Claire Denis (França)
  • Mr. Nobody, de Jaco van Dormael (França)
  • A Single Man, de Tom Ford (EUA)
  • Lourdes, de Jessica Hausner (Áustria)
  • Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, de Werner Herzog (EUA)
  • The Road, de John Hillcoat (EUA)
  • Between Two Worlds, de Vimukthi Jayasundara (Sri Lanka)
  • The Traveller, de Ahmed Maher (Egito)
  • Lebanon, de Samuel Maoz (Israel)
  • Capitalism: A Love Story, de Michael Moore (EUA)
  • Women Without Men, de Shirin Neshat (Alemanha)
  • Il Grande Sogno, de Michele Placido (Itália)
  • 36 vues du Pic Saint Loup, de Jacques Rivette (França)
  • Survival of the Dead, de George Romero (EUA)
  • Life During Wartime, de Todd Solondz (EUA)
  • Tetsuo The Bullet Man, de Shinya Tsukamoto (Japão)
  • Prince of Tears, de Yonfan (Hong Kong)

Fora de competição

  • REC 2, de Jaume Balaguero, Paco Plaza (Espanha)
  • Chengdu, I Love You, de Fruit Chan, Cui Jian (China)
  • The Hole, de Joe Dante (EUA)
  • The Men Who Stare at Goats, de Grant Heslov (EUA)
  • Scheherazade, Tell Me a Story, de Yousry Nasrallah (Egito)
  • Yona Yona Penguin, de Rintaro (Japão)
  • The Informant!, de Steven Soderbergh (EUA)
  • Napoli Napoli Napoli, de Abel Ferrara (Itália)
  • Anni Luce, de Françasco Maselli (Itália)
  • L’oro di Cuba, de Giuliano Montaldo (Itália)
  • Prove per una tragedia siciliana, de John Turturro, Roman Paska (Itália)
  • South of the Border, de Oliver Stone (EUA)

Mostra Horizontes

  • Françasca, de Bobby Paunescu (Romênia)
  • One-Zero, de Kamla Abou Zekri (Egito)
  • Buried Secrets, de Raja Amari (Tunísia)
  • Tender Parasites, de Christian Becker e Oliver Schwabe (Alemanha)
  • Adrift, de Bui Thac Chuyen (Vietnã)
  • Crush, de Petr Buslov e outros (Rússia)
  • Repo Chick, de Alex Cox (EUA)
  • Engkwentro, de Pepe Diokno (Filipinas)
  • The Man’s Woman and Other Stories, de Amit Dutta (Índia)
  • Paraiso, de Hector Galvez (Peru)
  • Io sono l’amore, de Luca Guadagnino (Itália)
  • Cow, de Guan Hu (China)
  • Judge, de Liu Jie (China)
  • Pepperminta, de Pipilotti Rist (Suíça)
  • Tris di donne e abiti nunziali, de Martina Gedeck (Itália)
  • Insolação, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch (Brasil)
  • 1428, de Du Haibin (China)
  • Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz (Brasil)
  • Once Upon A Time Proletarian: 12 Tales of a Country, de Guo Xiaolu (China)
  • Villalobos, de Romuald Karmakar (Alemanha)
  • Il colore delle parole, de Marco Simon Puccioni (Itália)
  • The One All Alone, de Frank Scheffer (Holanda)
  • Toto, de Peter Schreiner (Áustria)

A Era do Gelo 3

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O primeiro longa-metragem “A Era do Gelo”, lançado em 2002, foi um grande sucesso. Muito engraçado e interessante, o filme cativou o público, com seus personagens carismáticos e irreverentes, com o esquilo Scrat fazendo grande sucesso. Seguindo o êxito, “A Era do Gelo 2″ (2006)também faturou alto, cerca de 70 milhões de dólares no fim de semana de estreia só na América do Norte. Apesar de bom, o filme não conseguiu ser tão engraçado nem chegou perto da qualidade do primeiro.

Agora, com “A Era do Gelo 3″, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (assim como no segundo filme), a Fox conseguiu um meio termo: a animação tem muita qualidade, uma ótima premissa e consegue ter os seus momentos engraçados, superando o antecessor, mas ainda é inferior ao filme de 2002. A exibição em 3D, um diferencial da nova aventura dos mamutes Manny e Eliie, ao lado de seus amigos Sid e Diego, tem qualidade principalmente em cenas estratégicas, como o passeio por um túnel de gelo, mas poderia ter sido melhor aproveitada, como na animação stop-motion “Coraline e o Mundo Secreto“, ou mesmo em “A Lenda de Beowulf”. A tecnologia me parece ter sido usada com cautela demais para evitar exageros e acaba decepcionando grande parte do público que decide assistir à versão do filme em três dimensões. Apesar de a maioria das cenas “saltarem aos olhos”, faltou um pouco de ousadia a Saldanha.

Na história, o casal de mamutes está prestes a ter um filhote, o que mexe com o grupo. O tigre dentes-de-sabre Diego pensa que Manny e Ellie estão formando um “novo bando”. Além disso, a convivência com o grupo acabou fazendo-o perder um pouco o seu extinto de caçador, seu lado selvagem, e o personagem decide se separar dos amigos. Enquanto Sid, o bicho preguiça, sente a necessidade de formar a sua própria família e acaba raptado, o que força o grupo a entrar em uma grande aventura à sua procura em um local subterrâneo que ninguém imaginava existir: um vale perdido de dinossauros.

O grande diferencial desse filme e que torna a história divertida é um novo personagem: Buck, uma doninha caolha caçadora de dinossauros. Em sua histeria e loucura, Buck é um personagem que agrada o público e arranca boas risadas. É a doninha que guia o grupo em busca de Sid pelo vale dos dinossauros e os protege dos mais diversos perigos. Só a sua participação já vale o ingresso. Outro destaque é que o esquilo Scrat tem uma parceira nesse novo longa-metragem: Scratte, uma fêmea que “doma” o pobre animal depois do casamento.

Um ponto negativo de “A Era do Gelo 3″ é o roteiro mal costurado em certos momentos, como no dilema de Diego, que não é muito aprofundado e acaba sendo resolvido muito rapidamente. Assim, o filme poderá parecer vazio e sem tanta graça para os fãs de animações com mensagens edificantes, que tentam  conscientizar o público, como ”Wall-E”, da Disney. Mas para quem gosta de animação, quer se divertir um pouco e dar algumas gargalhadas, o filme é indicado.

Abaixo uma cena com o insano Buck:

Antes de Partir

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O que esperar quando dois ótimos atores como Jack Nicholson e Morgan Freeman se juntam? Em Antes de Partir (2007), do diretor Rob Reiner, temos a oportunidade de ver esse encontro. Assim, a comédia, que poderia ser sem graça ou provocar mais lágrimas do que risos, consegue um ótimo resultado. Nicholson, com seu carisma habitual, e Freeman, com a competência conhecida, conseguem proporcionar momentos engraçados e inusitados.
Na história, dois pacientes em estado terminal, Edward Cole (Nicholson), um gestor de hospitais solitário que tem como lema “dois leitos por quarto, nunca menos” e Carter Chambers (Freeman), um mecânico que não conseguiu realizar alguns de seus sonhos por ter uma família para sustentar, acabam internados no mesmo quarto de hospital, para desespero de Cole, que se vê vítima de seu próprio lema. Como esperado, a princípio os dois não se dão bem, principalmente pelo jeito ranzinza do personagem de Nicholson, mas logo uma amizade se forma entre os dois pacientes, que fazem uma lista de “últimos desejos”. Carter Chambers acaba convencido pelo colega de quarto a colocar a lista em prática e os dois viajam pelo mundo conhecendo cidades e vivendo as mais excêntricas experiências.
O maior ponto negativo do filme é percebermos claramente que praticamente todas as cenas foram gravadas em estúdio. As viagens (Egito, Índia) e a experiência com paraquedas, por exemplo, ficam muito artificiais e dificilmente enganam até o mais desatento dos espectadores. Uma das graças do cinema é justamente a ilusão, que é perdida nesses trechos.
O longa-metragem tem uma forte carga emocional que pode levar os corações mais moles às lágrimas, mas o destaque mesmo vai para a química entre os dois atores, que conseguem fazer uma comédia leve, daquelas para se assistir em um dia que queremos algo tranquilo, sem explosões ou piadas forçadas. Eles equilibram bem o humor com o drama pelo qual os personagens estão passando, evitando que a história fique muito pesada. E Jack Nicholson, sempre ele. Claro que está longe de ser uma das melhores atuações do ator, mas é interessante vê-lo se entregando ao papel como habitualmente faz, independentemente do seu prestígio e do número de Oscars levados para casa (três). A atuação foi potencializada porque alguns meses antes das filmagens o ator teve que ser internado e acabou utilizando um pouco dessa “experiência” em diálogos e situações do filme.
Assisti ao filme no cinema e em DVD. Vale a pena conferir.

Abaixo, o trailer.

Mudança de Hábito

Lembro-me que durante a minha infância, e até adolescência, assisti muitas vezes ao filme “Mudança de Hábito” (1992), estrelado por Whoopi Goldberg, que interpreta Deloris Van Cartier, uma cantora de boate que, para fugir de criminosos, se refugia em um convento, onde se disfarça de freira e passa a se chamar Irmã Mary Clarence. Goldberg interpreta muito bem a freira e o filme é divertidíssimo.

E não é que usaram um trecho do filme, quando cantam “I will follow him”,  para exaltarem a “volta por cima” do jogador Ronaldo Fenômeno? A edição ficou muito bem feita e engraçada, destaque para Maradona e Cristiano Ronaldo. Apesar de palmeirense, não tem como negar que o jogador é predestinado. Ronaldo ainda é um craque e tem espaço na seleção brasileira, sim. Não existe hoje um finalizador como ele. Torço para que jogue ainda muitos anos e continue contribuindo com o futebol brasileiro através de sua habilidade.

Divirtam-se com o vídeo abaixo. Além dele, segue também a cena original, com Whoopi Goldberg.

I will follow Ronaldo

I will follow him

Anjos e Demônios

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Ao assistir ao filme “Código Da Vinci” em 2006, saí do cinema insatisfeito. Além de o livro ser bem melhor que a adaptação, Ron Howard errou na dose,  deixou o filme muito “explicativo” e pecou na falta de ação. Em compensação, havia algumas estrelas que tornavam o longa, no mínimo, interessante, como Ian Mckellen, Paul Bettany, Alfred Molina, Jean Reno e Tom Hanks.

Ao sair da sessão de “Anjos e Demônios” foi difícil formular uma crítica contundente. Ao contrário da maioria das críticas que li, reclamando do excesso de ação neste filme, não considero isto um grave erro. Afinal, o livro tem esse tom frenético, uma correria incessante para desvendar os mistérios e evitar que aconteça uma catástrofe ao catolicismo. O grande problema é que o diretor Ron Howard força demais em algumas cenas, deixando tudo muito exagerado e longe da realidade. O roteiro também peca por fazer mudanças desnecessárias em relação à obra original, o que prejudicou a trama, como a visita ao Cern (Centro Europeu para Pesquisa Nuclear) que Robert Langdon (Tom Hanks) faz logo no início do livro e não vemos na adaptação ao cinema. Esta visita e alguns personagens que conheceríamos nela são de extrema importância e mostraria melhor a rixa religião x ciência. Já a inversão da ordem da história (na literatura “Anjos e Demônios” se passa antes da história de “O Código Da Vinci”) não prejudica a história.

Na trama, logo após a morte do papa, a igreja católica deixa as rixas com Robert Langdon de lado e chama o simbologista às pressas para investigar o desaparecimento de quatro cardeais, os favoritos no Conclave (a seleção do próximo Papa) e impedir a explosão de uma bomba de antimatéria. Assim, Langdon descobre que precisa seguir o “Caminho da Iluminação”, rota secreta em Roma que leva ao local de encontro da antiga sociedade secreta conhecida como Illuminati, que, aparentemente, voltou para se vingar da Igreja e estaria por trás dos crimes.

Com relação ao elenco, Tom Hanks (não pode-se deixar de notar a melhora no corte de cabelo em relação ao primeiro filme rs) parece atuando mais no automático do que nunca. Para quem conhece e gosta do ator, é de se esperar mais da interpretação dele (este mesmo mal tem acometido atores como Robert De Niro e Al Pacino em seus últimos filmes). Ewan McGregor não compromete como o camerlengo Patrick McKenna, mas é o protagonista de uma cena um tanto exagerada e que causa vergonha alheia no final. Destaque para Stellan Skarsgård (Piratas do Caribe, Mamma Mia!) que mais uma vez atua muito bem. Já Nikolaj Lie Kaas, interpretando um assassino contratado pelos Illuminati, não convence com sua fraca atuação.

A trilha sonora de Hans Zimmer cai muito bem na história e empolga nas cenas de ação. E o ponto positivo do filme, assim como do livro, é que o espectador conhece algumas das belezas de Roma e do Vaticano, além de aprender um pouco (porque não se pode confiar em tudo) sobre as obras de muitos artistas e o como funcionam algumas leis do Vaticano em relação à sucessão do papa (nada que você não possa aprender em um bom livro). O conservadorismo da Igreja também é bem explorado.

A dica é a seguinte: se você tiver a mente aberta para aceitar os fatos mais absurdos possíveis e gosta de filmes de conspiração, assista. Caso contrário, não vale a pena.

Segue trailer do filme.

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