É difícil dizer qual o segredo para se fazer um bom filme. Roteiro bem amarrado, história envolvente, trilha sonora que exprime o que muitas vezes não precisa ser dito, belas atuações… Algumas produções se salvam com um ou outro desses elementos fortalecidos. Mas quando um filme consegue reunir grande parte de tais características, é difícil ver um espectador sair desapontado da sala de cinema.
Esse é o caso de “O Discurso do Rei”, dirigido por Tom Hooper. Desde a cena inicial, uma ótima sequência com o jovem Duque de York (futuro Rei George VI, estrelado por Colin Firth) se preparando para um discurso no estádio de Wimbledon, que seria transmitido via rádio para milhões de pessoas, até a final, com um novo discurso, este às vésperas da 2ª Guerra Mundial, o filme é envolvente. A começar pelo roteiro bem construído, que conta a história de Albert Frederick Arthur George, pai da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Albert era o segundo na linha de sucessão do Rei George V, depois de seu irmão Edward. Ninguém esperava que o caçula, gago desde a infância, assumisse o trono, o que aconteceu em 1936 quando o irmão abdicou para se casar com uma norte-americana divorciada. O problema é que o país precisava de discursos fortes em uma época de terror, às vésperas da segunda grande guerra. E aí está o drama do filme…
A fotografia também merece destaque. Nas cenas de Firth, sempre enquadrando-o de forma incômoda, potencializando o desconforto do monarca com sua gagueira. Desconforto que atinge o público, graças a uma brilhante atuação do ator inglês, que deixa o espectador sentir sua agonia quando precisa falar e as palavras não saem. Dói de ver (ou ouvir).
E a ótima atuação não se resume ao protagonista. A direção de atores do longa-metragem é de extrema qualidade. Geoffrey Rush como Lionel Logue, uma espécie de fonoaudiólogo com métodos não-convencionais, atua sem compromisso e rouba as cenas. Helena Bonham Carter, finalmente deixando um pouco de lado os papeis excêntricos dirigidos pelo marido, Tim Burton, faz bem a dedicada esposa Elizabeth. E Timothy Spall agrada como Winston Churchill (embora às vezes seja caricato demais).
A trilha sonora também acompanha bem os 118 minutos do filme, servindo para potencializar a angústia que sentimos ao lado do personagem e a expectativa de um discurso. E a produção consegue transmitir bem o sentimento de incerteza vivido pelo mundo às vésperas da guerra, além de mostrar a revolução provocada pelo rádio, um meio de comunicação que aproximava os líderes de seus cidadãos.
Tais qualidades do filme o gabaritam para vencer o Oscar de melhor filme e de melhor ator. Algo que, caso se confirme, será extremamente merecido… Afinal, à primeira vista, o enredo parece não atrair grande interesse. Mas, em alguns casos, como em “O Discurso do Rei”, o mais importante não é a história, e sim como ela é contada…
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