
Ao assistir ao filme “Código Da Vinci” em 2006, saí do cinema insatisfeito. Além de o livro ser bem melhor que a adaptação, Ron Howard errou na dose, deixou o filme muito “explicativo” e pecou na falta de ação. Em compensação, havia algumas estrelas que tornavam o longa, no mínimo, interessante, como Ian Mckellen, Paul Bettany, Alfred Molina, Jean Reno e Tom Hanks.
Ao sair da sessão de “Anjos e Demônios” foi difícil formular uma crítica contundente. Ao contrário da maioria das críticas que li, reclamando do excesso de ação neste filme, não considero isto um grave erro. Afinal, o livro tem esse tom frenético, uma correria incessante para desvendar os mistérios e evitar que aconteça uma catástrofe ao catolicismo. O grande problema é que o diretor Ron Howard força demais em algumas cenas, deixando tudo muito exagerado e longe da realidade. O roteiro também peca por fazer mudanças desnecessárias em relação à obra original, o que prejudicou a trama, como a visita ao Cern (Centro Europeu para Pesquisa Nuclear) que Robert Langdon (Tom Hanks) faz logo no início do livro e não vemos na adaptação ao cinema. Esta visita e alguns personagens que conheceríamos nela são de extrema importância e mostraria melhor a rixa religião x ciência. Já a inversão da ordem da história (na literatura “Anjos e Demônios” se passa antes da história de “O Código Da Vinci”) não prejudica a história.
Na trama, logo após a morte do papa, a igreja católica deixa as rixas com Robert Langdon de lado e chama o simbologista às pressas para investigar o desaparecimento de quatro cardeais, os favoritos no Conclave (a seleção do próximo Papa) e impedir a explosão de uma bomba de antimatéria. Assim, Langdon descobre que precisa seguir o “Caminho da Iluminação”, rota secreta em Roma que leva ao local de encontro da antiga sociedade secreta conhecida como Illuminati, que, aparentemente, voltou para se vingar da Igreja e estaria por trás dos crimes.
Com relação ao elenco, Tom Hanks (não pode-se deixar de notar a melhora no corte de cabelo em relação ao primeiro filme rs) parece atuando mais no automático do que nunca. Para quem conhece e gosta do ator, é de se esperar mais da interpretação dele (este mesmo mal tem acometido atores como Robert De Niro e Al Pacino em seus últimos filmes). Ewan McGregor não compromete como o camerlengo Patrick McKenna, mas é o protagonista de uma cena um tanto exagerada e que causa vergonha alheia no final. Destaque para Stellan Skarsgård (Piratas do Caribe, Mamma Mia!) que mais uma vez atua muito bem. Já Nikolaj Lie Kaas, interpretando um assassino contratado pelos Illuminati, não convence com sua fraca atuação.
A trilha sonora de Hans Zimmer cai muito bem na história e empolga nas cenas de ação. E o ponto positivo do filme, assim como do livro, é que o espectador conhece algumas das belezas de Roma e do Vaticano, além de aprender um pouco (porque não se pode confiar em tudo) sobre as obras de muitos artistas e o como funcionam algumas leis do Vaticano em relação à sucessão do papa (nada que você não possa aprender em um bom livro). O conservadorismo da Igreja também é bem explorado.
A dica é a seguinte: se você tiver a mente aberta para aceitar os fatos mais absurdos possíveis e gosta de filmes de conspiração, assista. Caso contrário, não vale a pena.
Segue trailer do filme.

Eu até gostei do filme do Código, talvez porque não tenha lido o livro. Vou dar uma chance para o Anjos e Demônios quando der.
Agora, isso é verdade, o Tom Hanks tem atuado muito no piloto automático ultimamente.
Abs
É verdade. Concordamos em quase todos os pontos, inclusive no que diz respeito à atuação de Tom Hanks.
Agora, sem comentários sobre a “cena um tanto exagerada e que causa vergonha alheia no final.” O que foi aquilo, hein? Hahaha! O padre deu uma de Wolverine… Tava com inveja porque na sala de exibição ao lado continha um filme de ação de verdade e quis imitar! Hahaha!
Abraço!
Rapaz, agora fiquei curioso com essa cena “exagerada” do Ewan McGregor que vc mencionou.
Mais uma ótima resenha, Thiago.
Até mais
O filme é cansativo. Como sempre, o livro é muito melhor. (eh, eu li!)
Sim, livro melhor! Muito bom, aliás!